Psicologia

Consciência e memória em Ouspensky

Na postagem anterior eu abordei a consciência em Ouspensky. Nesta postagem eu irei abordar “consciência e memória”, é uma continuação da postagem anterior.

Clique AQUI para ler a postagem anterior sobre “consciência”.

Foi apresentado para o leitor na postagem anterior que o homem, de maneira geral, pode conhecer quatro estados de consciência, que são: o sono, o estado de vigília, a consciência de si e a consciência objetiva.

O problema que Ouspensky nos apresenta na primeira conferência é que nós podemos conhecer estes quatros estados, porém, só vivemos dois desses estados, a saber, o sono e o estado de vigília.

“Na vida comum o homem nada sabe da consciência objetiva e não pode ter nenhuma experiência dessa ordem. O homem se atribui o terceiro estado de consciência, ou consciência de si, e crê possuí-lo, embora, na realidade, só seja consciente de si mesmo por lampejos, aliás, muito raros; e, mesmo nesses momentos, é pouco provável que reconheça esse estado, dado que ignora o que implica o fato de realmente possuí-lo.”

Esses momentos de vislumbres de consciência apresentado pelo autor ocorrem em momentos excepcionais, ou seja, em momentos de perigo, estados de intensa emoção, situações novas e inesperadas; ou também, às vezes, em momentos bem simples onde nada de particular ocorre. O homem não possui controle sobre tais momentos de consciência.

Quanto à memória, dirá o autor:

“O que significa a memória no sentido técnico da palavra — todas as diferentes espécies de memória que possuímos — explicá-lo-ei mais adiante. Hoje, só desejo atrair sua atenção para as observações que tenham podido fazer a respeito da sua memória. Notarão que não se recordam das coisas sempre da mesma maneira. Algumas coisas são recordadas de forma muito viva, outras permanecem vagas e existem aquelas de que não se recordam em absoluto. Sabem apenas que acontecem.”

Particularmente, eu fiquei muito surpreso ao ler que nós nos recordamos de poucas coisas, isto porque nós só podemos recordar de momentos em que estávamos conscientes. Logo, o homem possui momentos fortuitos de consciência de si, é isso que deixa viva a lembrança. Contudo, o homem não possui poder sobre tais momentos. Surge a pergunta: é possível que o homem adquira domínio desses momentos fugazes de consciência, evocá-los mais frequentemente, mantê-los por mais tempo ou, então, torná-los permanentes?

Ou seja,

É possível torna-se consciente?

O homem pode adquirir o controle da consciência?

Dito isso, podemos concluir que a “psicologia” é o estudo de si. Essa é a segunda definição de psicologia. Clique AQUI para ler sobre a primeira definição de psicologia.

Para Ouspensky, não se pode estudar-se como se estuda uma ciência tecnológica, ao mesmo tempo uma pessoa deve se estudar como se estivesse estudando uma máquina nova e complicada. O autor faz uma analogia do corpo humano com uma máquina super complexa que deve ser conhecida por suas partes para ser compreendida o seu todo. É necessário conhecer as peças dessa máquina, suas funções principais, as condições para trabalho correto, as causas de um trabalho defeituoso e uma porção de outras coisas difíceis de descrever sem uma linguagem especial.

Nesta analogia, a máquina humana possui sete funções diferentes, a saber:

1 – O pensamento (ou intelecto).

2 – O sentimento (ou as emoções).

3 – A função instintiva (todo o trabalho interno do organismo).

4 – A função motora (todo o trabalho externo do organismo, o movimento no espaço, etc.).

5 – O sexo (função dos dois princípios, masculino e feminino, em todas as suas manifestações).

As outras duas funções a linguagem corrente não possui nome de forma estrutural como as cinco primeiras, o que sabemos é que elas aparecem somente nos estados superiores da consciência, ou seja, a função emocional superior, onde a mesma aparece no estado de consciência de si; a outra é a função intelectual superior, que aparece no estado de consciência objetiva.

Segundo Ouspensky:

“como não estamos nesses estados de consciência, não podemos estudar essas funções nem experimentá-las; só conhecemos sua existência de modo indireto, por meio daqueles que passaram por essa experiência.”

 

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Referências

OUSPENSKY, P. D. Psicologia da Evolução Possível ao Homem. Editora Pensamento, São Paulo.